Histórias pra Contar: professores falam de aprendizagem para além da sala de aula


POR ISABELLA SANDER

No quarto capítulo do projeto Histórias pra Contar, realizado nesta quinta-feira, 29 de outubro, três professores da Rede Estadual de Ensino contaram sobre suas experiências de ensino e aprendizagem para além da sala de aula. Jéssica Adriane, Josieli Fatima Tonin Pagliosa e Olivio Guedes Filho relataram como foram seus processos de adaptação à prática de ensino ao longo da pandemia e quais transformações consideram que permanecerão. O encontro foi mediado pelos professores da Unisinos Bruno Bittencourt, Dinara Dal Pai e Gustavo Borba.

Promovido pela Secretaria Estadual da Educação (Seduc), por meio do Centro de Gestão e Inovação (Cegin) e do Departamento Pedagógico (DP), o projeto é composto por lives que têm como foco o engajamento para a prática do Modelo Híbrido de Ensino. As transmissões ocorreram pelo canal do YouTube TV Seduc RS.

Jéssica é professora do 5º ano e supervisora na Escola Miguel Gustavo, em Sapucaia do Sul. Ela considera que 2020 tem sido um ano difícil, no qual todos enfrentaram desafios, como permanecer em casa e se readequar a novas tecnologias. Inicialmente, a docente criou salas de aula virtuais com seus alunos. Depois, incorporou o uso do Google Meet, para ter um contato mais direto com os estudantes e, com o tempo, passou a utilizar jogos.

A turma e a professora foram aprendendo, juntas, a lidar com o novo formato das aulas. Para auxiliar os estudantes que não tinham equipamentos, cerca de 100 netbooks da instituição foram formatados e emprestados para os alunos. “O que é legal é que foi uma rede de compartilhamentos e aprendizagens, essa troca foi muito bacana”, destaca.

Professor da Rede desde 2011, Olivio leciona na Escola Vila Prado, também em Sapucaia do Sul. O docente conta que mudou muito seu método de trabalho nos últimos tempos. “Não foi fácil mudar aos 48 anos, mas, com a pandemia, eu senti necessidade de mudar como profissional. Meu filho me ajudou muito, me mostrou plataformas, editores de vídeo. Criei minhas salas virtuais e, quando começamos a usar o Classroom com o e-mail Educar, eu já tinha uma familiaridade com as ferramentas”, lembra.

Para o educador, é fundamental que professores troquem suas experiências entre si. “Vamos precisar de investimento do governo, mas essa mudança passa por nós, como profissionais. Esta mudança veio para ficar e é necessária e, por isso, temos que investir em nós mesmos também”, pontua.

Josieli é professora de Matemática na Escola Normal José Bonifácio, em Erechim, onde foi aluna, quando mais nova. Quando recebeu a notícia de que as aulas presenciais iriam parar, foi um choque. “Não sabia como eu poderia ensinar matemática, porque é uma disciplina que precisa de muita explicação, diferentemente de outras, em que o aluno pode ler mais e aprender sozinho”, recorda. Aos poucos, porém, foi descobrindo caminhos – criou um canal no YouTube e publica explicações sobre conteúdos lá, e enviava os links nos grupos que tinha com cada turma no WhatsApp.

A virada de chave foi quando foi iniciada a capacitação do Letramento Digital, no YouTube TV Seduc RS. “Aquilo me encantou tanto que eu não conseguia mais parar, queria colocar tudo em prática na hora. Foi um aprendizado maravilhoso”, ressalta. Segundo a docente, a relação com a sua profissão mudou: “Agora não sou mais só transmissora de conhecimento. Eu uso ferramentas, troco com os alunos, eles me ajudam a editar vídeos. Ficamos ainda mais próximos neste momento, mesmo estando distantes.”

Sobre a mudança no papel do professor, Josieli comenta que o professor segue sendo importante, pois orienta os alunos dentro do mundo de informações, falsas e verdadeiras, existentes na internet. “O professor é mediador, curador, conselheiro, orientador. Ele não é só transmissor do conhecimento, mas sim alguém que está aprendendo com o aluno e mediando, e o aluno precisa desse acompanhamento”, aponta.

Olivio acredita que a mudança, de transmissor de conhecimento para mediador, precisa acontecer de dentro para fora. “Enquanto não entendermos que temos que mudar, não vamos fazer essa mudança. Eu tive de fazer uma mudança interna, entender que o aluno precisava de mais”, relata.

Ao final, a diretora adjunta do Cegin, Karina Menegazzo, parabenizou os professores e a mediação dos docentes da Unisinos. “Para nós, enquanto secretaria, fica cada vez mais evidente a necessidade de acolhermos os professores, que estão à frente dessas mudanças, oportunizando novas experiências, leituras de mundo e perspectivas de vida aos alunos, às famílias e à comunidade como um todo. Nosso sentimento por vocês, professores, é de gratidão por tudo que estão fazendo”, expressa.

Projeto Histórias pra Contar

O projeto Histórias pra Contar é promovido pela Seduc, por meio do Cegin e do DP. Os encontros ocorreram nos dias 20, 21, 27 e 29 de outubro, tendo como foco o debate com os estudantes e, depois, com os professores. As transmissões ocorreram pelo canal do YouTube TV Seduc RS.

Programa Jovem RS Conectado no Futuro

O Jovem RS Conectado no Futuro é um programa estratégico que define as ações gestão e inovação da Secretaria Estadual da Educação. A iniciativa promove o protagonismo do estudante por meio do empreendedorismo, da inovação e da criatividade nas escolas da rede.

A iniciativa conta com instituições parceiras como o Sebrae-RS, Unisinos, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-Riograndense (IFSul), Educadigital, Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa (RBAC), Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do RS, entre outros.

Fonte: Educação RS

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